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CLIQUE NAS BOLHAS :)

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É necessário declará-lo sem medo: as imagens são polissêmicas não somente porque é pura verdade, mas, além disso, porque elas nos obrigam a percursos temporais que não são apenas lineares e determinados. São caminhos e trajetos sim, circulares, indefinidos, policlínicos, transitórios e transterritoriais. 

 

Etienne Samain

Como um vaga-lume, ela [a imagem] acaba por desaparecer de nossa vista e ir para um lugar onde será, talvez, percebida por outra pessoa, em outro lugar, lá onde sua sobrevivência poderá ser observada ainda. 

 

Georges Didi -Huberman

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Sem palavras para tanta imagem.

Cinquenta sonhadores enviaram seus relatos de sonhos para, em troca, receberem três imagens produzidas por três artistas, colocando em contato as imagens oníricas descritas com as imagens que despontaram na imaginação dos artistas a partir da leitura dos relatos. 

 

Para que a proposta da Pausa Onírica se concretize, é necessário que o sonhador ensaie uma experiência de mediação pela palavra. O texto é, portanto, pausa necessária para que o universo onírico se materialize em novas imagens. A experiência da narrativa a partir do sonho é um desafio que exige tempo e corpo, para expôr as múltiplas imagens que se apresentam à psique durante o sonho, que não se conformam a um intervalo cronológico nem ao espaço geográfico do mundo da vigília. Vale lembrar que a palavra grega para ‘sonho’ é oneiros, que significa 'imagem'. Se pensarmos que o sonho é um desfile de imagens, entendemos então que exercer a narrativa a partir dessas imagens tem similaridade com a experiência de olhar para um quadro e dele fazer uma história.

Segundo Jung, psique é imagem e “tudo aquilo que se torna consciente é antes de tudo imagem”. Assim, no campo psicológico, imagem e psique são a mesma coisa. Diante disso, entendemos que “a imagem – em sonhos, nas fantasias, na arte, nos mitos e na sua maneira de revelar os padrões arquetípicos coletivos – é sempre o primeiro dado psicológico: as imagens são o meio pelo qual toda a experiência se torna possível". 

 

Em troca, o sonhador recebe no seu email uma pequena exposição virtual de três imagens, uma micro exposição privada da qual ele foi co-autor, já que a partir do seu relato e em diálogo com ele, os artistas movimentaram a sua inventividade.

 

O conceito ou significante das imagens geradas reside nessa troca privada, ainda que, quando olhamos cada pequeno conjunto, seja fácil perceber que outros universos se entrelaçam com o primeiro. A tríade jamais resume ou condensa o texto, mas amplifica-o. 

 

Os meses que antecederam esta exposição foram ainda um momento tenso da pandemia, com o plano de vacinação em curso, vivenciando o isolamento social a mais de ano e meio e perante o desconhecido, apelidado pela mídia de “novo normal”, atestando como inevitável uma transformação dos afetos, daquilo que concebemos como modo de vida, do que entendemos como relação. Mas cada um de nós vivenciou esse drama atual desde perspectivas diferentes, que inevitavelmente nos transformarão de forma irregular, talvez até contrastante. 

 

Em contato com os sonhos relatados percebemos que algumas temáticas aparecem de forma recorrente no exercício de transcriar para o texto as imagens oníricas. Constatar que há assuntos recorrentes nos sonhos, temas comuns a toda a humanidade, nos remete àquilo que é arquetípico, ou seja, àquilo que é próprio do humano e esteve e está presente em todas as épocas e em todos os lugares. A morte é um dos temas que ocupam a humanidade desde seus primórdios e é claro, um símbolo muito ativado em tempos de pandemia.

 

Procuramos apresentar todo esse material evitando criar leituras que remetam diretamente ao texto que as mediou, já que as imagens criadas pelos artistas se originam do encontro com as imagens que se apresentaram à psique do sonhador. De imagem para imagem, a palavra entra nesse processo mais como  balbucio do que hierarquia de sentidos. 

 

Célia Barros e Denise Jorge

Ficha Técnica:

Célia Barros, Artista e Curadora  //  Denise Batista Pereira Jorge, Analista Junguiana  //  Lindsay Ribeiro, Artista e produtora cultural  //  Pedro Dias, Designer  //  Patricia Ioco, Assessoria de comunicação e mídias digitais ..........

Artistas da Caótica Coletiva:

Célia Barros  //  Dani Akemi  //  Gabriel Tonhá  //  Giovanna Vacani  //  Felipe Naghirniac  //  Jenifer Cristina  // Jessé Rivas  //  Leo Alvim  //  Lindsay Ribeiro  //  Nalu Luzio  //  Nathália Alkmin  //  Rafael Toledo  //  Thaylla Barros ...

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