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  • Denise B. P. Jorge.

De que são feitos nossos sonhos?



O sonho é um fenômeno natural. Segundo Jung, não é fruto de uma intenção consciente e, por isso, não pode ser explicado do ponto de vista da consciência. Sua origem é inconsciente.


Sabendo que o sonho é produto das profundezas da alma, a curiosidade nos leva a perguntar quais são os ingredientes dos nossos sonhos?


Nossas percepções sensoriais, estados patológicos e indisposições físicas claramente interferem em nossos sonhos. Disso decorre aquela velha ideia de que quando comemos em excesso e vamos dormir “de barriga para cima”, temos um tipo de sonho específico ou um pesadelo. Ou ainda naqueles sonhos em que procuramos desesperadamente por um banheiro e acordamos aflitos, com vontade de fazer xixi.


Eventos físicos ocorridos no meio ambiente (ruídos, estímulos luminosos, temperatura) também podem influenciar o sonho. Estamos sonhando com o barulho de uma sirene e acordamos exatamente com o som do relógio despertando.


Determinados acontecimentos psíquicos que ocorrem no ambiente também podem ser “farejados” pelo inconsciente e usados na composição de nossos sonhos. Isso é possível porque existe um certo paralelismo entre o inconsciente e o mundo físico. Entre os sonhos de crianças coletados por Jung, há o de uma criança de cerca de 4 anos que sonha com dois anjos transportando algo para o céu. Naquela noite, seu irmãozinho faleceu. Certos segredos ou atmosferas psíquicas também podem aparecer nos sonhos: podemos sonhar que algo aflige um ente querido e, tempos depois, percebermos isso em seu relato. Há pesquisas mostrando o entrelaçamento de temas em sonhos de casais.


Acontecimento passados, dos quais nos lembramos ou não, também podem entrar em nossos sonhos. Uma mulher sonha que está numa casa, é a casa da sua infância, embora seja diferente da casa onde ela cresceu. Lá ela encontra um homem que usa muletas. Ele diz que é seu tio. Ela não o reconhece e nem se lembra de ter um tio que usa muletas. Ao acordar, ela conta o sonho para sua mãe e fica sabendo que um irmão de seu pai, que ela nunca conheceu, usava bengalas.


As coisas mais banais, assim como as de origem mais profundas em nossa psique podem ser usadas na tecedura de nossos sonhos.


Denise B. P. Jorge. Psicóloga e Analista Junguiana.

Mestre e Doutora em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP.


Referências:

Jung, Gustav Carl. Seminários sobre sonhos de crianças. Petrópolis: Vozes, 2011.


Ilustração: Célia Barros



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