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  • Denise B. P. Jorge.

O que é o sonho?

Atualizado: Jun 21

Há pessoas que dão pouca ou nenhuma importância aos sonhos e ao sonhar ou os considera irrelevantes, e por isso não manifestam curiosidade alguma sobre as imagens apresentadas nos sonhos, nem sobre um possível significado ou uma possível relação existente entre eles e o mundo diurno, o qual costumamos chamar de realidade. Mas, a maioria dos seres humanos, mostra um grande interesse pelos sonhos, evidente não só na necessidade de compartilhá-los com alguém logo que acordam e se lembram deles, como na busca por seu significado.



Ilustração: Célia Barros


Existe uma diversidade de perspectivas de olhar para os sonhos. Algumas pessoas tomam os sonhos ao pé da letra. Há aqueles que veem nos sonhos uma maneira de se conectarem e se comunicarem com o mundo espiritual, seja numa visão profética do conteúdo dos sonhos ou como a confirmação do encontro com entes queridos que já morreram, enquanto dormem.


A psicologia e a psicanálise apontam a importância dos sonhos para o acesso à psique, na medida em que por meio deles, estabelece-se um canal para compreensão e tratamento das dores da alma. Segundo Freud, pai da psicanálise, o sonho tem como propósito a realização de desejos inconscientes (reprimidos) e atua como guardião do sono. Para ele o sonho é encarado como uma mensagem a ser decifrada para o mundo diurno. Jung, preconizador da psicologia analítica, entende o sonho como a possibilidade de trazer compensação à unilateralidade da consciência. Neste sentido, o sonho favorece o reconhecimento de um excesso de adaptação à realidade externa e nos mostra outras perspectivas de ser e estar no mundo, mais em sintonia com o Si-mesmo (Self). Embora tenham compreensão diferente sobre o significado dos sonhos, tanto Freud quanto Jung entendem o sonho como uma ponte para o mundo interno, uma via régia de acesso ao inconsciente. Em ambas as abordagens, se propõe a interpretação dos sonhos e a busca de uma relação com o contexto de vida do sonhador.


James Hillman, representante da psicologia arquetípica, afirma que os sonhos são produtos imaginativos. Devemos ir em busca dos sonhos em sua terra natal, lá onde o pensamento se move por imagens. Até aqueles sonhos “bobinhos” podem nos surpreender com sua arte, com a seleção dos detalhes, com o jogo de fantasia, com sua provocação estética. Uma verdadeira provocação cuja única intenção, se é que há uma intenção, é nos tirar da anestesia. Hillman propõe que entremos no mundo dos sonhos e nos relacionemos com suas imagens, acariciando-as, sentindo seu cheiro, reconhecendo suas cores e suas texturas. A melhor resposta a um sonho deve ser continuar sonhando. Em vez de tentar interpretá-lo, devemos deixá-lo flutuar e flutuar com eles.


Denise B. P. Jorge. Psicóloga e Analista Junguiana.

Mestre e Doutora em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP.

Referência:

Hillman, James. O sonho e o mundo das trevas. Petrópolis: Vozes, 2013.


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