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Um encontro virtual entre sonhadores e criadores.

 

Uma troca onírico-criativa entre sonhadores e criadores: a cada relato de sonho te oferecemos três imagens. Cada uma será criada por um artista diferente.

 

Cria-se assim uma amplificação coletiva de símbolos sonhados e um espaço virtual de encontro entre inconscientes sonhantes e criadores.

Do fluxo alucinante e irrefletido à pausa forçada e flutuante

 

Ao longo do processo de modernização temos vindo a desvincular o ser humano da sua capacidade criativa não utilitária, tornando-o cada vez mais, uma mera parte da engrenagem produtiva da economia capitalista. Sonhos, desejos e modos de vida vão sendo cooptados por esse grande mecanismo, que como Slavoj Žižek  já disse, nos impossibilita inclusive de  imaginar o seu fim¹. Que caminhos podemos cultivar para que outras imaginações, criações e elaborações sejam possíveis?

A pandemia do novo coronavírus vem descortinando muitas realidades injustas desse nosso sistema global de vida. Ao mesmo tempo que essa situação ainda é extremamente trágica e angustiante, é evidente que a quarentena imposta no mundo todo abriu um espaço-tempo inédito para a sociedade moderna. 

Um conteúdo tão imaterial quanto profundo, tão importante para a ativação da nossa subjetividade quanto relegado à escassez das lembranças: esquecemos os sonhos como esquecemos o que é tempo. 

E se, a partir do seu relato do seu sonho cada artista criasse uma imagem? 

 

Uma imagem que mantenha a possibilidade dos símbolos ali presentes continuarem fortes, que “circulambule”2 em torno do símbolo e o amplifique evitando qualquer tentativa de interpretação ou enclausuramento das imagens nele presentes. 

 

Acreditamos que dessa forma poderemos alimentar os sonhos e assim cultivar a alma. Os sonhos constituem “uma ponte para dentro”3, uma via régia de acesso ao inconsciente.

 

Contar um sonho é alimentá-lo. Um exercício de permanecer em contato com a potência das imagens em que a psique se apresenta. Esquecer os sonhos, apesar de tão recorrente e aparentemente inofensivo, pode nos afastar de nós mesmos. 

 

O que propomos é um diálogo, uma interação entre as psiques de sonhadores e artistas, que nos conduza ao cultivo da imaginação.

1-https://blogdaboitempo.com.br/2011/10/11/a-tinta-vermelha-discurso-de-slavoj-zizek-aos-manifestantes-do-movimento-occupy -wall-street/

2 - ​a partir da noção de ​circuambulacio​ de C.G. Jung

3 - Tanto Jung quanto Freud, usaram de modo intercambiável os termos ​Seele​ (alma) e ​psyche​ (psique). ​Hillman, James. O Sonho e o mundo das trevas. Petrópolis: Vozes, 2013.